. ArraseuX .

Porque agente Arraza!

Sunday, May 21, 2006

Faz bem, faz mal, faz mal pra mim

Para se ler ouvindo Montage - Ode to my Pills (Benflogin).



Há muito não saía. Viu a noite iluminada pelos antigos postes, as pontas de cigarro e sentiu-se em casa. O tempo não tinha mudado muito o lugar, nem as pessoas. As pessoas haviam mudado, claro, mas, no fundo, eram as mesmas.

O ritmo frenético das batidas repetidas que ela não entendia, mas adorava, enchiam seus ouvidos e ela sentia ser levada pela corrente. De pessoas e de sons.

Avistou-o. Definitivamente, ainda era o mesmo. E ela também não havia mudado tanto assim. Sentiu-se puxada por sua imagem, sugada, seduzida. Caminhou em sua direção com o cigarro na ponta dos dedos, iluminando o caminho dentre o mar de corpos. Sentia-se seduzida, maravilhada, com a sua imagem. Seu corpo gritava pelo dele. Seus poros precisavam um do outro, seus cheiros se completavam.

Ele não havia mudado nada. Avistou-a. Ela também não. Não caminhou em sua direção, deixou-a se chegar, devagar, sensual, como sempre.

Encostaram-se de leve, sentido o calor que exalava dos dois corpos, o roçar dos lábios. Começaram a mover-se ao som da música, o som entoando o balançar ritmado dos corpos e dos corações.

Sentiam-se. Completavam-se. Os olhos já estavam fechados, as bocas abertas, procurando-se, provocando-se, nunca terminando num beijo, apenas insinuando o que poderia ser e não era.

Subiam e desciam, as mãos se entrelaçando, procurando as concavidades e os recônditos de cada, tocavam-se levemente, provocando, gostavam da sensação. A mesma que antecede o orgasmo, aquela agonia deliciosa, aquela ânsia pelo prazer, pelo clímax.

Palavras não eram necessárias, contanto que o ritmo continuasse. Não importava as pessoas ao redor, os cheiros, as vozes. Nada existia naquele momento, só os dois corpos que faziam amor no meio da rua, cheia de tudo e de nada.

Agora a sensação áspera do muro às suas costas se fazia presente, mas não importava, tudo que importava era a mão dele subindo por suas coxas. As pontas dos dedos se insinuando por sua saia, a sensação das suas mãos no cabelo dele, em suas costas firmes.

Como ele sentia falta do corpo dela. Havia esquecido como as coxas eram, como as pernas eram firmes, como era bom seu pescoço. Excitava-se ao senti-la arrepiada, ao sentir a mão dela puxar de leve seu cabelo, como se pedisse para...

Tudo era névoa, não entendia mais nada, só sentia o pulsar do ritmo, o cheiro do cigarro misturado com seus perfumes, o gosto da boca dele, seus corpos subindo e descendo, na dança mais antiga, as vozes ao redor se tornando distantes enquanto lhe faltava o ar.

Ápice, cume, arrepio final. E finalmente entreolharam-se, enxergaram-se, viram-se. Trocaram um último sorriso e continuaram seus caminhos, no pulsar ritmado da batida que entoava os passos enquanto se distanciavam.



baixaí: Montage - Ode to my pills (Benflogin)

4 Comments:

Anonymous Anonymous said...

isso é quase um conto erótico..mas com classe, claro..
a trilha sonora tá altamente perfeita e adequada gata..
truou mesmo vc o.o

4:54 PM  
Anonymous Anonymous said...

it's just casual sex, baby. just casual sex.
só pra quem pode, hein?
heuaheauehauehaueheauh
:*

5:01 PM  
Blogger Marcela said...

a.mei. precisa dizer mais alguma coisa? =x

5:06 PM  
Anonymous Anonymous said...

se distanciavam so em corpo , em pensamento...

5:16 PM  

Post a Comment

<< Home