. ArraseuX .

Porque agente Arraza!

Sunday, May 28, 2006

Airport

Para ver: http://www.youtube.com/watch?v=kOBAitcC1BM

e agora ler.


Com os fones de ouvindo ainda no lugar, corria pelo estacionamento que parecia não acabar nunca.

Engraçado era que corria, desejando chegar. Entretanto, morria de medo da idéia de estar lá. De presenciar. Dizer adeus.

Esbarrando em pessoas, derrubando malas, não via nada a sua frente, só onde queria chegar. A melodia coincidia com o ritmo dos passos, seu coração batia acelerado.

Onde estaria o maldito portão de embarque? Sempre tivera uma péssima cabeça pra números, eles não conseguiam colar na sua mente.

Falou com uma das pessoas cinzas e ela balbuciou algo sobre ir mais alguns metros à frente e subir alguns lances de escada. Correu, ela, correu.

No último degrau do último lance de escadas conseguiu ouvir os risos conhecidos. Até os sorrisos ela conseguia ouvir. Chocou-se contra a parede e ficou lá, com o peito arfando, ouvindo os sorrisos últimos, escondendo-se.

Olhou para o teto e logo fechou os olhos. As lembranças ainda eram tão frescas, a pele, os poros, os cheiros, os gostos, tudo ainda estava ali com ela, os únicos a lhe fazerem companhia. Não conseguia se mexer, estava paralisada. Não era possível mover-se, algo a mantinha presa ao chão, como cola. Medo. Medo de quê? Ela bem sabia que aquilo não poderia ter ido muito longe, nunca ia, por que dessa vez teria sido diferente?

O relógio chamou sua atenção. 5 minutos, era tudo o que restava, 5 minutos. Como falar tudo em cinco minutos? Como se despedir em tão curto período de tempo? E por que diabos ela tinha mesmo que se despedir? Nem lembrava mais os motivos, os porquês. Não tinham feito muito sentido mesmo, então não importava. Ah, importava.

Arriscou uma olhadinha tímida e lá estavam todos eles. Os sorrisos. Como diabos estavam conseguindo sorrir? Provavelmente não entendiam o que estava acontecendo, o que estava para acontecer, o que seria dali a 4 minutos. 4 minutos. O som dos ponteiros do relógio era ensurdecedor, o tempo gritava.

E quem inventou a porcaria do tempo? Por que ele existia mesmo? Diabos. E por que as pessoas tinham que ir embora?

3 minutos. E os sorrisos ainda estavam lá, os abraços vinham agora, os beijos. Alguns arriscavam algumas notas de músicas há muito esquecidas, não tão esquecidas assim de verdade, do passado que tiveram.

2 minutos. A porcaria do tempo não parava. Por que não parava o tempo? Diabos. E por que as pessoas tinham que ir embora?

1. 50...40...30..

Correu o mais rápido que conseguiu e tudo parecia se mover tão lentamente, o tempo não havia parado pra ela, mas havia desacelerado. Os passos ecoavam e os sorrisos viraram para ela, abriram-se mais ainda, mais brancos, mais vermelhos do que nunca. Eles entenderam

she is everything I need that I never knew I wanted

O nó na garganta apertava mais ainda porque a avistara. Os cabelos pretos caindo por sobre as costas, as costas mais linda que havia visto. As lembranças voltaram a embaçar a mente enquanto as lágrimas deixavam a visão turva.

Os sorrisos a encurralavam agora e ela não conseguia entender o porquê, nenhum dos porquês.

E então os cabelos pretos se viraram, com os lábios e os olhos mais sorridentes do mundo, mais lindos, mais...

E ela entendeu. Algo aconteceu, o nó ainda estava lá, mas uma sensação morna a envolvia. Eram os seus braços que a apertavam e ela respondia com um beijo, no ombro, ligeiro e repleto de sentimento.

She is everything I want that I never knew I needed

- Eu preciso de você – surpreendeu-se ao ouvir aquelas palavras saindo da própria boca.

- Eu entendo – surpreendeu-se ao ouvir aquelas palavras saindo da boca dela – e é por isso que eu tenho que ir.

Apertou-a contra o peito mais uma vez, ela sentiu o coração batendo forte, ritmado, junto com o seu.

- Eu entendo.

- É por isso que eu te amo.

- E por isso que você tem que ir.

- ..

0.




baixaí: The Fray - She Is

Sunday, May 21, 2006

Faz bem, faz mal, faz mal pra mim

Para se ler ouvindo Montage - Ode to my Pills (Benflogin).



Há muito não saía. Viu a noite iluminada pelos antigos postes, as pontas de cigarro e sentiu-se em casa. O tempo não tinha mudado muito o lugar, nem as pessoas. As pessoas haviam mudado, claro, mas, no fundo, eram as mesmas.

O ritmo frenético das batidas repetidas que ela não entendia, mas adorava, enchiam seus ouvidos e ela sentia ser levada pela corrente. De pessoas e de sons.

Avistou-o. Definitivamente, ainda era o mesmo. E ela também não havia mudado tanto assim. Sentiu-se puxada por sua imagem, sugada, seduzida. Caminhou em sua direção com o cigarro na ponta dos dedos, iluminando o caminho dentre o mar de corpos. Sentia-se seduzida, maravilhada, com a sua imagem. Seu corpo gritava pelo dele. Seus poros precisavam um do outro, seus cheiros se completavam.

Ele não havia mudado nada. Avistou-a. Ela também não. Não caminhou em sua direção, deixou-a se chegar, devagar, sensual, como sempre.

Encostaram-se de leve, sentido o calor que exalava dos dois corpos, o roçar dos lábios. Começaram a mover-se ao som da música, o som entoando o balançar ritmado dos corpos e dos corações.

Sentiam-se. Completavam-se. Os olhos já estavam fechados, as bocas abertas, procurando-se, provocando-se, nunca terminando num beijo, apenas insinuando o que poderia ser e não era.

Subiam e desciam, as mãos se entrelaçando, procurando as concavidades e os recônditos de cada, tocavam-se levemente, provocando, gostavam da sensação. A mesma que antecede o orgasmo, aquela agonia deliciosa, aquela ânsia pelo prazer, pelo clímax.

Palavras não eram necessárias, contanto que o ritmo continuasse. Não importava as pessoas ao redor, os cheiros, as vozes. Nada existia naquele momento, só os dois corpos que faziam amor no meio da rua, cheia de tudo e de nada.

Agora a sensação áspera do muro às suas costas se fazia presente, mas não importava, tudo que importava era a mão dele subindo por suas coxas. As pontas dos dedos se insinuando por sua saia, a sensação das suas mãos no cabelo dele, em suas costas firmes.

Como ele sentia falta do corpo dela. Havia esquecido como as coxas eram, como as pernas eram firmes, como era bom seu pescoço. Excitava-se ao senti-la arrepiada, ao sentir a mão dela puxar de leve seu cabelo, como se pedisse para...

Tudo era névoa, não entendia mais nada, só sentia o pulsar do ritmo, o cheiro do cigarro misturado com seus perfumes, o gosto da boca dele, seus corpos subindo e descendo, na dança mais antiga, as vozes ao redor se tornando distantes enquanto lhe faltava o ar.

Ápice, cume, arrepio final. E finalmente entreolharam-se, enxergaram-se, viram-se. Trocaram um último sorriso e continuaram seus caminhos, no pulsar ritmado da batida que entoava os passos enquanto se distanciavam.



baixaí: Montage - Ode to my pills (Benflogin)

Thursday, May 18, 2006

politicamente incorreta

Ouvindo::.Le Tigre - New Kicks
msn::.aparecer offline


Hoje acordei engajada.
Escrevendo até um manifesto político aqui... quem sabe depois poste...


Por enquanto, a música que despertou todos esses novos sentimentos:

Peace Now, Peace Now, Peace Now, Peace Now!

We are gathered here, we come from so many different places.
From different identities, different cultures.
Different backgrounds different religions.
And yet we can gather, under the guides of peace....now...
Peace now!

"We say no to war!"
Peace up, war down!
"We say no to war!"
Peace up, war down!
"We say no to war!"
Peace up, war down!

"We made it. We're here. We're here right now and we're not leaving."

Now I feel you, I feel you people.
Now I feel you, I feel you people.
Now I feel you, I feel you people.
Now I feel you, I feel you people.
Now I feel you, I feel you....

"Now, we have reports that more and more people are just taking on ramps onto the bridge and are just taking it over.. it's just...just..."

"I mean, i'm just like..ahh!"

This is what democracy looks like!
This is what democracy sounds like!
This is what democracy looks like!
This is what democracy sounds like!

"Reports from protests from Amman, Jordan... Amsterdam... and Beirut, Lebanon... East Timor... Florence, Italy...London...Milano, Italy...Paris, France...
In dozens of cities in Spain... Reports in Athens, Georgia... and Austin, Texas... Blacksburg, Virginia... Charleston, South Carolina... Colorado Springs... and
Defiance, Ohio... Denver, Colorado as well as Durango... Geneva, New York and Houston, Texas... Hyannis, Massachussetts...In Hawaii as well...
Lawrence, Kansas... Los Angeles, California... AND I AM ONLY NAMING A FEW!"

Peace...now! Peace...now!

And as Eleanor Roosevelt said...
"It isn't enough to talk about peace, one must believe in it. It isn't enough to believe in it, one must work at it"
And we here today... are working at it!

"Peace is possible, and even necessary. So drop the sword, and pick up the hammer and the saw. And let's build a better world!"

No blood for oil!
We will not be silent!
No blood for oil!
We will not be silent!

"We will not go to war, for a selected president, who wasn't even elected!"

We must stand unbroken, unbound and unashamed
We need healthcare!
We need education!
We need freedom in this nation!
Freedom in this nation!
Freedom in this nation!
Freedom in this nation!

"Thousands of people have taken over 3rd Avenue and are marching north. The crowd stretches at least 15 blocks from 44th street to 59th Street.
The police have just simply... given up."

This is what democracy looks like!
This is what democracy sounds like!
This is what democracy looks like!
This is what democracy sounds like!

peace now
peace now
"We will not sell out!
We will not back down!
We will not compromise!
We will go forward,
Until peace is on the world's agenda!"

I started to feel that there were no more heroes in the World.
But Today, I see all the World's heroes standing before me.

"We say no to war!"
No war!
"We say no to war!"
No war!
"We say no to war!"
No war!


baixaí: Le Tigre - New Kicks


Tuesday, May 09, 2006

i need some fine wine and you, you need to be nicer

Pus a agulha sobre o disco e a música encheu o quarto.

Sentei à cama e abri o envelope pardo onde se lia "Thaís Leo" com minha grafia e "um passado, uma história, um pedaço" com outra.

Foi só tocar nas cartas, nos versos, nas palavras, que as memórias, os sentimentos, as sensações todas voltaram a aflorar, a provocar sorrisos de canto de boca e esquentar meu coração, já que as extremidades estavam sempre frias.

Passagens que nem lembrava mais, situações, dias. "Teu traço".

Juntos...
Como não lembrar, céus? Como poderia esquecer por completo algo que faz parte de mim? Que, de certo modo, sou eu?

Esquecer não é possível. Nem nos torpores da vida, pude esquecer. Sempre era relembrada daquilo que não se pode esquecer, que não se pode fugir.

Ri. Ri ao admitir que havia tentado fugir, esquecer, suprimir. Ri mais ainda, com lágrimas castanhas no canto dos olhos, porque compreendi que não é possível. É incondicional, é algo maior.

É Amor.
É Saudade.
É Você.
Sou Eu.
Somos Nós.

E poderia continuar listando na mente tudo o que era e que não era, mas queria agir. Queria alcançar o telefone, que parecia ha milhares de quilômetros, ligar, sentir a voz doce ecoar em meus tímpanos.

Mas não. Não poderia. A vida havia ensinado que, apesar de soar patético, o amor é sim um jogo de interesses.

Jogaria a ísca, sim, isso poderia fazer. Aí, então, não dependeria mais de mim. O peso sairia dos meus ombros quando jogasse.


Ponho aqui, virtualmente, meu anzol.








[o texto foi escrito aqui mesmo no treco do blog e eu não ousei ler. tá indo do jeito que saiu que é do bom e do melhor.



baixaí::. Alanis Morissete - So Pure

Sunday, May 07, 2006

Addicted

Ouvindo::.Ladytron - Evil
msn::.só com saco de falar com a skrush

Hoje acordei sentindo-me prepotente. Com o nariz lá ná estratosfera. E se alguém perguntar o que aconteceu pra que ficasse assim, é capaz de levar uma in the face. Nada físico, claro, violência física nunca, mas da verbal... minha black tongue anda afiadíssima.

Irritabilidade no pico, com direito a cena de desenho animado. O mercúrio vermelho do termômetro lá em cima, soltando fumaça e quebrando o vidro.

Acho que isso é frustração.. pera...

Frustrar [v.t] 1 Enganar a expectativa de; iludir. 2 Inutilizar P. 3 Malograr-se, falhar

É, pode-se dizer que sim. Vou estudar que é o melhor que eu faço.
[rezem pra que não atire os livros pela janela durante algum ataque de raiva]



baixaí: turtles - so happy together

Saturday, May 06, 2006

Antiguidades

"Antigamente, na Inglaterra, não se podia fazer sexo sem o consentimento do Rei (a não ser que se tratasse de um nobre). Quando queriam fazer amor, tinham que pedir para o monarca, que lhes entregava uma placa, que deviam colocar na frente da porta de seu quarto enquanto tivessem relações. A placa dizia Fornification Under Consent of the King". Essa é a origem da palavra inglesa "fuck"."

será que as pessoas não sabiam fechar a porta e fingir que estavam dormindo?

deve ser muito constrangedor:
- Será que Vossa Majestade permitirá a minha pessoa de dar uma fornicadinha?
- Não.

Monday, May 01, 2006

slave of sensation

Ouvindo::.Portishead - Sour Times
msn::.online mas sem responder

Ouvindo aqui Portishead às 9 da noite e tendo que estudar algumas muitas páginas de História...

Engraçado as sensações e os sentimentos que Portishead pode proporcionar.
Desde a dor de cotovelo, o saudosismo e o melancolia ao bom e velho sex appeal, desejos pulando de orelha em orelha sussurando palavrinhas excitantes, se enroscando nos caichos, deslizando pelo pescoço, passando pelo ombro, descendo, descendo...

Engraçado, né? Eu acho.
Acho também que tô meio in between, exatamente como a Sour Times.

É o QUÊ, Thaís?

Eu explico.

Primeiro vem o "'cuz nobody loves me, it's true"
e junto vem a melancolia, o saudosismo, o cotovelo

e depois, pra salvar a coisa toda, vem
"not like you do"
e vem o desejozinho e seus chifrinhos pulando pra lá e pra cá e deslizando e descendo e se enroscando....


tá, vou estudar História que o melhor que faço...



sugestão: portishead - biscuit